BRASÍLIA - O adiamento da votação da reforma política mostra ainda uma dificuldade em fechar uma proposta que congregue todos os interesses até dentro dos partidos. A última novidade, a criação de do distritão com legenda - o chamado semidistritão - é defendida por líderes como o do PMDB, deputado Baleia Rossi (SP), que disse ao GLOBO que a proposta era inteligente. Mas nem no PMDB há consenso sobre a adoção do distritão em si. Nesta quinta-feira, o deputado José Fogaça (PMDB-RS), que foi presidente da sigla na década de 90, disse que "pobre do presidente da República" que tiver que negociar com um Congresso eleito pelo sistema do distritão, onde os eleitos são os mais votados, pelo chamado sistema majoritário. Fogaça argumentou que os mais votados terão uma postura individualista e não necessariamente representarão partidos.
— O distritão gera ingovernabilidade, porque cada deputado será eleito independentemente de partidos. Serão donos dos seus mandatos, donos de si mesmos, de sua vontade política, de uma maneira individualista. Pobre do presidente que terá que negociar com um por um, não com bancadas (de partidos) — disse Fogaça.
Considerado da ala independente do PMDB, Fogaça foi presidente da sigla que mudar o nome não terá grandes consequências. Ele foi retirado da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) durante o processo de votação da denúncia contra o presidente Michel Temer porque estava indeciso. Mas a saída foi negociada. Depois, no plenário, Fogaça votou a favor de Temer, ou seja, contra a denúncia.
— A essas alturas dos acontecimentos isso (mudar o nome de PMDB para MDB ) tem muito pouco efeito — disse o parlamentar gaúcho.
Já o líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), disse que a ideia do semidistritão é uma forma de valorizar as legendas partidárias.
— É uma boa ideia. Valoriza o voto de legenda. É inteligente. Assim, um candidato que não está entre os 70 candidatos mais votados dentro das vagas que a São Paulo na Câmara, por exemplo, pode melhorar seu desempenho com os votos da legenda do seu partido e assim subir e ultrapassar alguém de outro partido que já estava entre os 70 — disse Baleia Rossi.
Para atrair os partidos de esquerda, o bloco do distritão inovou e propôs a ideia do semidistritão. Pela proposta, permaneceria o modelo de se eleger os candidatos mais votados, mas o eleitor poderia escolher votar ou no candidato ou apenas numa legenda. Ao final, os votos dados apenas à legenda seriam distribuídos aos candidatos daquele partido. Na prática, isso pode beneficiar aquele candidato que quase conseguiu uma vaga e cujo partido tem grande popularidade. A proposta foi fruto de acordo, mas é assinada pelo PDT.
Os parlamentares ainda estão aperfeiçoando a proposta do semidistritão. Agora, querem os votos que forem dado à legenda sejam distribuídos entre os candidatos daquele partido de forma proporcional, ou seja, conforme o seu desempenho, e não de forma igualitária.

