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Gabrielli diz a Moro que não era possível identificar corrupção na Petrobras

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SÃO PAULO — O ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse em depoimento ao juiz da 13ª Vara Federal em Curitiba, Sérgio Moro, que apesar de considerar rígido o sistema de controle interno e externo da estatal, não foi possível identificar os malfeitos que foram descobertos posteriormente no âmbito da Operação Lava-Jato.

— Nem Polícia Federal, nem auditoria interna e externa, nem ouvidoria teve conhecimento do volume de informações que aparecem depois das investigações da Lava-Jato. Na época contemporânea aos fatos, não era possível identificar esses comportamentos — afirmou o dirigente petista, que prestou depoimento na condição de testemunha de defesa do ex-presidente Lula.

Gabrielli disse que apesar dos valores desviados serem, “em termos absolutos, bastante significativos”, não poderiam ter sido captados pelos controles em função do “volume gigantesco de contratos” e “volume extraordinário de investimentos” da estatal.

— O que tem se revelado é essencialmente que esses confessos corruptos e corruptores cumpriram os requisitos internos e externos da Petrobras tentando escapar desses controles internos, tornando esses controles impossíveis de capturar esse tipo de comportamento — afirmou o dirigente.

Gabrielli disse nunca ter conversado com o ex-presidente Lula sobre eventuais desvios de comportamento na estatal, mas apenas sobre temas como “o plano estratégico da Petrobras”, sua importância para o “desenvolvimento das riquezas do Brasil” e o desenvolvimento de novas tecnologias.

— Nunca tivemos conversa sobre a utilização de recursos escusos com as atividades da Petrobras, ao contrário, o objetivo era ter a melhor gestão possível para atingir os objetivos estratégicos definidos pelo Conselho de Administração — afirmou.

O dirigente admitiu, no entanto, que havia influência política no processo de escolha de diretores da Petrobras, desde o ano de sua fundação.

— Isso era uma discussão interna ao nível do governo, que faz sua escolha ao apresentar aos membros do Conselho. Isso é um processo que ocorre desde 1953, desde quando a Petrobras foi fundada.

O ex-presidente da Petrobras disse que a indicação de Jorge Zelada para a diretoria internacional da Petrobras, em substituição a Nestor Cerveró, em 2008, foi levada à Petrobras pelo então presidente do Conselho de Administração da estatal, Guido Mantega. A mudança foi solicitada por dirigentes da cúpula do PMDB ao governo.

Ex-ministro dos governos Lula e Dilma e governador da Bahia entre 2007 e 2014, o secretário de desenvolvimento econômico da Bahia Jaques Wagner também prestou depoimento e disse não ter havido qualquer tipo de irregularidade no período em que esteve no cargo de ministro de Relações Institucionais, entre 2005 e 2006, para aumentar a base de apoio do governo petista.

A força-tarefa da Lava-Jato afirma que propinas cobradas de contratos da Petrobras foram usadas para ampliar a base de apoio ao PT, que incluiu PMDB e PP.

— No meu período não. Desconheço — disse Wagner, que falou por videoconferência, como testemunha de defesa de Lula na ação que envolve supostos benefícios pagos ao ex-presidente pela empreiteira OAS.

O ex-governador afirmou que é normal que parlamentares, governadores e prefeitos se aproximem do partido que está no comando do Executivo.

— Infelizmente, como o quadro partidário no Brasil é muito dilacerado, com mais de 40 partidos políticos, muitos querem perfilar ao lado de quem está no governo. É natural que o Executivo eleito rapidamente alcance a maioria — explicou. Desconheço a utilização de dinheiro público para conquista de mais parlamentares — acrescentou.

Wagner citou como exemplo a última mudança de governo, quando muitos integrantes da base de apoio da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) passaram a apoiar o presidente Michel Temer (PMDB). Ele afirmou que, quando assumiu o cargo, a diretoria da Petrobras já estava montada.

Perguntado se Lula participava diretamente das negociações, Wagner explicou que o ex-presidente sempre recebeu lideranças partidárias, mas em blocos.

- O ex-presidente sempre foi de receber lideranças, blocos parlamentares, conselho político. (Os contatos) se davam em reuniões grandes, jantares no Palácio da Alvorada ou no Planalto.

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