BRASÍLIA — Numa guinada no comando da Polícia Federal, Fernando Segóvia a direção do órgão assume com a expectativa de um fortalecimento da corporação frente o Ministério Público Federal (MPF). Em 2013, ele era favorável a um projeto que tentou delimitar o poder do MP nas investigações. No entanto, esse possível enfrentamento deve ser feito de forma política, já que uma das características desse delegado é ser carismático.
Para um colega, Segóvia lembra o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Tem um bom trânsito com os chefes e delega as missões mais espinhosas para ajudantes imediatos.
— Faz amizade com todo mundo — disse uma fonte ouvida pelo GLOBO.
Corintiano apaixonado, chegou a ir à Tóquio acompanhar o time na final do campeonato mundial. Segundo um delegado, gosta de jogar bola e de um chopinho com os colegas depois da pelada.
No meio do ano, voltou da África do Sul, onde foi adido por dois anos. Antes, era o número dois da Corregedoria Geral da PF, adjunto do delegado Cláudio Gomes. Foi com o antigo chefe que se aconselhou nesta tarde logo após a notícia de ser nomeado o novo diretor-geral ter sido confirmada.
Antes dessa confirmação pelo Palácio do Planalto, ele apagou o seu perfil público no Facebook. Além das redes sociais, montou uma rede política para chegar à indicação de diretor-geral. Foi superintendente da PF no Maranhão, mas rechaça a ligação com a família Sarney.
Começou a crescer na carreira e no mundo político quando comandou o Serviço Nacional de Armas de Fogo. Ele cuidou da implantação da lei do desarmamento.
— Foi onde ganhou prestígio com os chefes — falou um colega.
Nos bastidores, há ainda a expectativa que ele favoreça as carreiras menos valorizadas da PF: escrivão, papiloscopista e agente. Ele é casado com uma escrivã e, na campanha ao cargo, angariou o apoio da federação dessas categorias.

