Uma invasão hacker nos sistemas da Defesa Civil na madrugada deste sábado (20) acabou despertando uma curiosidade inesperada na população brasileira. Ao receberem notificações com a palavra “misantropia” nos celulares, milhares de usuários recorreram aos buscadores da internet para tentar decifrar o significado do termo, que rapidamente se tornou um dos mais pesquisados do país no Google.
Derivada das palavras gregas mīsos (ódio) e ánthrōpos (ser humano), a misantropia significa, na definição literal, uma aversão, antipatia ou profunda desconfiança em relação à humanidade, à sociedade e às ações coletivas. Segundo o Dicionário Houaiss, o termo também está associado à falta de sociabilidade, melancolia e tristeza profunda. O seu oposto direto é a filantropia , que representa o amor à humanidade e o desprendimento para ajudar o próximo.
Uma das principais dúvidas que surgiram na internet é se o termo se referia a alguma patologia médica. Especialistas esclarecem que a misantropia não é uma doença ou transtorno mental, o que significa que ela não possui registro na Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID) nem consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).
O psicólogo Paulo Gomes explica que o termo define uma característica de personalidade ou uma postura crítica diante do mundo. Ele traça um paralelo com o niilismo, que é a falta de crença em objetivos ou motivações humanas. Embora pacientes com quadros de depressão severa possam manifestar traços misantrópicos, essa visão pessimista e cética sobre a sociedade pode se manifestar em qualquer pessoa comum, sem que isso configure um problema de saúde.
Ao contrário do que o senso comum sugere, o misantropo não é necessariamente alguém que vive totalmente isolado do mundo ou que odeia indivíduos de forma violenta. Trata-se, na maioria das vezes, de uma escolha racional ou filosófica de desconfiar das intenções e da moral da civilização — uma linha de pensamento que, inclusive, acompanhou grandes pensadores da história, como os filósofos Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche.




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