BRASÍLIA - O Palácio do Planalto e aliados já discutem como será o tratamento dado aos fiéis e aos infiéis na votação de ontem na Câmara, que arquivou na Casa a denúncia contra o presidente Michel Temer, mas ainda contabilizam os vencedores do bolão feito sobre quem acertaria o número de votos. Já durante a votação, a tropa de choque fez um "bolinho" no meio do plenário para checar os mapas feitos com as posições de cada parlamentar. Os diferentes mapeamentos indicavam votos de 260 a 302 para Temer. O resultado final foi de 263 votos.
A diversão entre os aliados já no final do dia e ainda hoje é falar sobre quem acertou mais. O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB ), brincava ao final da sessão que tinha apostado em, no máximo, 267 votos e que, assim, chegara mais perto.
Mas o vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), disse horas antes que não passaria de 272 o placar pró-Temer. Ele também foi bem na aposta, já que os 19 ausentes ajudaram a fechar o quorum necessário de 342 que validou a votação. Somados os 263 mais os 19, dá 282 no cenário pró-Temer.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), foi chamado pelos colegas como "otimista demais". Mansur acreditava numa votação entre 280 a 302 contra a denúncia.
Mas Mansur acertou em cheio o racha no PSDB. Como o site de O GLOBO mostrou no início da tarde de ontem, a bancada de 47 deputados estava rachada ao meio. Os tucanos ganharam mais um com a volta do ministro das Cidades, Bruno Araújo, para votar como deputado, porque o suplente não era do partido. Mansur avisou ao governo que a bancada estava rachada: 23 para cada lado. O líder do PSDB na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), irritou colegas e o Planalto ao defender a denúncia como posição da bancada, quando o acerto era liberar a bancada para votação.
Mas o resultado foi ainda melhor: os votos a favor de Temer ficaram na frente dentro do PSDB, com 22 a favor do presidente e 21 a favor da denúncia. Houve ainda quatro ausências, Os tucanos aliados a Temer, que estavam quietos até então por causa da postura de Tripoli, comemoraram ao final da sessão, quando o líder já tinha deixado o plenário.
— Ganhamos dentro da bancada — desabafou Bruno Araújo.
Os partidos do chamado centrão agora exigirão mais espaço, por causa de sua fidelidade. PP, PR, PTB, PRB querem tratamento diferenciado por terem garantido os votos e assumido o desgaste.

