A descoberta de uma bomba plantada por um bolsonarista no aeroporto de Brasília adiciona um grau maior de tensão no País a seis dias da posse do presidente eleito, Luiz Inácio da Lula da Silva. Não é correto qualificar todos os manifestantes que se postam em frente aos quartéis de terroristas, mas a permanência deles no entorno militar coloca o Exército na fronteira entre a tolerância e a cumplicidade.
Passou da hora de uma ação enérgica do Exército brasileiro. Primeiro, desfazendo as barracas montadas em torno dos quartéis. Segundo, se posicionando claramente sobre o seu compromisso com o País e seu papel de, entre outros, “salvaguardar os poderes constitucionais”.
O que está ocorrendo é exatamente o inverso. Ao tolerar os manifestantes, os comandantes militares passaram a impressão de apoiar seus atos, sem compreender que um dos pleitos - o fundamental - é a intervenção contra esses mesmos poderes que o Exército tem o dever legal de proteger.
A liberdade de expressão deve ser respeitada. O que não se pode nem se deve tolerar é a pregação do caos - como aliás foi a ideia por trás da tentativa de detonar um bomba no aeroporto de Brasília.
Se esse ato terrorista, sobejamente esclarecido pela polícia e confirmado pelo extremista preso, não é suficiente para os comandantes militares agirem, então a democracia de fato está em perigo.
São legítimas manifestações contra governos, mas o governo contra o qual se protesta ainda nem iniciou.
É legítimo ocupar as ruas quando um governo erra e trai o povo, mas é preciso que esse governo de fato exista e o governo Lula só vai existir a partir de 1o de janeiro.
Lula precisa errar e errar feio para ser mandado embora. E o Brasil tem um histórico de presidentes que falharam com o povo e pegaram “o caminho da rua”. Collor em 1992, acusado de corrupção; Dilma em 2016, por improbidade. Mas afastamentos constitucionais, realizados (com apoio da sociedade civil) pelo Poder Legislativo.
Na marra, não dá. É conspiração. É atentado à democracia, que o Exército brasileiro não pode tolerar.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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